Green Smiles

janeiro 21, 2012

Quando cheguei estavam lindas, todas elas. As três marias, as brancas de neve, as sem nome e aquelas polêmicas tão proibidas.

Dias depois com sol e vento começaram a secar, se entristecer, murchar. Estavam tão caidinhas que todo dia eu ia colocar água e dar um pouco de amor, na esperança de que as animaria.

Acordei sentindo um ventinho especialmente gelado, já que dormi sem roupa.  Como estava fui até a janela e mal pude acreditar na rua molhada que vi. Já tinha perdido a esperança de outra chuva nesta terra desgraçadamente quente.

Isso por si só já melhora a manhã de qualquer pessoa que tenha passado a noite toda andando de hospital em hospital na companhia de um semi desconhecido, sem poder desabafar em seu próprio idioma.

Fui estender as roupas, faz parte do meu trabalho ainda não tão bem definido. As plantas me olharam. Sorriram. As primeira que vi foram as srtas cannabis e sativa, ou maria e joana  (ou qualquer outro nome pouco criativo, tenho que resolver isso) porque são as maiores e mais bonitas. Estavam abertas, resistentes ao vento, tinham abandonados suas partes secas. Logo vi suas companheiras, todas que estiveram com aparência morte durante a semana estava tacando um foda-se pra sociedade e comemorando a chuva, silenciosamente. Comemorei com elas.

(:

Que coisa

janeiro 20, 2012

Aos poucos as coisas vão ficando com cara de família, de vida, de amigos, de amores, de casa. Na hora de ir embora vai ser pior que sair do Brasil, bem pior. Estou segura disso. Vou acabar me matando de trabalhar só pra poder voltar aqui. Foda de se apaixonar fácil (não por uma pessoa ou outra, mas pela vida em algum lugar) é que se eu viajar muito vou acumular muito amor e não sei se vai caber tudo no meu coração.

saudade

janeiro 15, 2012

Engraçado como é diferente a saudade de quem fica da saudade de quem vai, a saudade de quem conhecemos muito e a saudade de quem conhecemos pouco.

Saí do Brasil achando que ia derreter de saudade dos amores, dos lugares, da minha cama e afinal o que mais apertou foi saudade do centro da cidade e mesmo este já está aliviando. Talvez volte mais tarde.

Começar a conversar com alguém dia 11 de noite, num papo com formadores de amizade aka álcool e marijuana e no dia 14 de noite estar tendo uma crise de saudade, tendo que segurar o choro antes da despedida… bom, disso nunca tinha ouvido falar.

Asia e Kuba já deixaram saudade no meu coração e ninguém pode dizer que é mentira, em coração brasileiro sempre há espaço para este sentimento tão galego-português.  Pouco me importa se acabo de conhecê-los, se essa ternura é formada da exclusividade dos bons sentimentos que há em relacionamentos extremamente novos, se nunca vou vê-los de novo, se vou conhecer mais pessoas incríveis. Cada pessoa é única e insubstituível, e todo animal de sangue quente aguenta bem a ferida doce de despedidas que não deveriam machucar, de tão pequenas.

No final a gente fica é feliz de ver coisa bonita no mundo, como sou feliz de ter visto o vale do anhagabaú de cima.

Momentos. That’s what it’s all about.

mergulhando

janeiro 12, 2012

a coisa está louca.

não há nem o céu nem na terra, estou presa numa não axistência absurda, suspensa entre um infinito de possibildades, possibilidades muitos possíveis e outras também muito possíveis e em nenhuma as coisas são certas.

não rola a certeza. acho que a única certeza é não quero ter pânico de novo. sofrimento regular me ensina lições, com pânico a coisa não tem vantagens.

não ha vida atual aqui, nem a antiga lá  (porque passou) nem a atual lá pois não estou lá. A futura aqui é difícil e imaginar, não existe nem passado aqui. A atualidade é eu morrer de culpa por estar com um tesão ABSURDO em alguém e a superficialidade que isso implica e a resolução temporária das minha aflições internas com carne humana e e mesmo assim não poder se culpa enm se sentir culpada poruqe não da tempo de superar. Melhor aproveitar agora na sobriedade que viver um sonho selvagem.

Creio que quero viver só um sonho selvagem na realidade, e parar de inventar sonhos e realidades mais.

argh

melhor trabalhar até passar a bebedeira

a dor, A DOR

janeiro 11, 2012

Não é dor ruim de sofrimento nem dor boa de tatuagem, é dor dentro da cabeça. Lá no cérebro onde não dói.

Já estava pensando em espanhol, o que é problemático porque estava pensando com um vocabulário menor que o meu, porque sei menos. Aí chega um brasileiro e depois de 30 segundos de dificuldade para falar português ficamos meia hora conversando direto e em seguida chegam essas inglesas que dizem que entendem um pouco de espanhol mas não entendem NADA.

A dor terrível de a cada por supuesto, y de donde vino, cuanto tiempo te quedas, y adonde va en brasil que tem que ser transformados em…. en… si pero cual es la palavra… where are you going… si, claro, dos seman..weeks…

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

que desespero!!!

Pior que meu espanhol nem é tão bom assim, só grudou como carrapato e não consigo pensar em nada em outro idioma que no sea portugues o español.

D=

(embora um francês fajuto role quando estou perto do colega francês, vai entender)

(e nossa rolou um papo tão tenso sobre no volver a brasil que te contar)

(amanhã vou comprar rolos de filme!)

voar voar, subir subir

janeiro 9, 2012

Um tempão esperando. Mantendo a calma com uso de música e crianças gritando, mas gritando de empolgação, não de choro. Até um almofadinha brigando pra entrar antes no avião (e decolar na mesma hora que o resto) me pareceu divertido, daqueles divertimentos de quando a gente tem que se distrair e ser superior às distrações. Mas não foi pra isso que vim, vim pra ir embora, e sim, sei que ir embora é só mais outra ilusão.
Só começa com motores ligados e fazendo barulho, mas não começa quando anda, começa quando corre em linha reta balançando e a descrença capiro-humana na possibilidade dum bicho pesado e desembestado desses conseguir voar depois de uma corridinha dura alguns maravilhosos instantes de ingenuidade e desespero puros, daqueles que não dá nem tmepo de ter medo e VUSH, saímos do chão, o ar fica lá em baixo enquanto você sobe. Incrivelmente sobe e a descrença se agarra no rabo do avião, antes de de desfazer toda. A cidade lá em baixo te faz se sentir um pouco livre, ainda que o avião seja um filhote da cidade, que nunca desmama. Em segundos nuvens. Várias, umas cinzas umas brancas, cidade de novo, mais nuvens, sol, outras nuvens, sei que não posso mas é como se pudesse toca-las, com os dedos, no céu, não em uma montanha com uma nuvem neblina carrapato, nuvem nuvem, em seu habitat. E você pensa poxa que legal, que bacana, vou ficar aqui nadando nas nuvens e… e nada, estamos ainda inclinados com a barriga em direção às estrelas, nossa estrada, nossa orbitazinha fica lá onde as coisas não fazem mais sentido, e as nuvens são só um tapete EXTREMAMENTE luxuoso. E aí não é a liberdade de não fazer parte da cidade (da qual a gnete também é um filhote afinal, ao menso eu sou) e sim o absrudo de não fazer parte deste mundo. Ou você é nuvem ou vc é aquela coisa branca de termina no horizonte antes do azul infinito. Que graciosamente não é infinito, é só muito sol rebatendo na nossa cara e nem ele é azul.
Estou afogadas numa porçaõ de mentiras. As nuvens não sãod e algodão e o céu não é azul, só me parece e só parece agora e só parece poruqe estou na Terra. Se pasn isso é o que importa né? Estou na Terra. Ainda.
A pressão mudou várias vezes só enquanto escrevia isso. Melhor tentar dormir ou algo assim. Aquele abraço, você que ficam.

Mentira. Ia escrever porque estar a dois dias de partir me põe comovida como o diabo, mas que é um nome do balacobaco é.

Todas as vacas voam, Sócrates é uma vaca…

Tô numas de lembrar muito do curso de filosofia (por vários motivos) e mandei mensagem pra um ex-colega que dizia gostar muito de mim. Sem reposta ainda.

Se ele ou qualquer uma das pessoas que tentei contato me responder a partir de segunda, vai me descobrir fora de alcance, em Córdoba.

Aquele respiro antes de mergulhar

 

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