Pump it Up!

agosto 24, 2009

Uma vez um amigo meu me disse: “existem dois tipos de pessoas no mundo: os que sabem dançar, ainda que minimamente, e os metaleiros”. Creio que essa frase tenha uma bela porção de verdade, porque metaleiros realmente não sabem dançar, e todo o resto das pessoas, bem ou mal, tem um certo balanço. Inclusive os nerds sabem dançar, como pode ser comprovado nesse vídeo e nesse vídeo aqui.

Pois bem, como todo o bom nerd gosta de diversões eletrônicas (aka videogame) e não tem muito desprendimento social pra dançar numa festa ou na balada, pq não juntar videogame e dança? E assim nasceu a Pump it Up!, uma máquina de dança.

Dançar é uma coisa complicada, exige um certo desprendimento social. Quer dizer, a maioria das pessoas não tem o mínimo jeito pra coisa (ainda que gostem disso), e só conseguem se mexer de forma meio desengonçada com seus corpos desengonçados. É muito mais fácil se soltar e dançar num ambiente com o qual você está familiarizado, onde há pessoas iguais a você; por isso os nerds escolheram dançar nos fliperamas, nessas maravilhas coreanas da tecnologia.

Por mais que muita gente possa dizer que dançar seguindo as ordens de uma máquina não seja realmente dançar, acho que isso realmente não importa; as Pump’s divertem e bastante. Não bastasse a diversão, ficar pulando naquela máquina com certeza queimou todas aquelas calorias provenientes de todos os Doritos e Coca-Colas consumidas pelos tetudos. E pra melhorar, ainda dá pra competir com um amigo e ver quem consegue a maior pontuação no final. Existem inclusive campeonatos mundiais de Pump, com coreografias extremamente complicadas e cheias de acrobacias, coisa bonita de ver.

Bizarro? Parece, mas eu já dancei muto nessas e me divertia pra dedéu. E quem não dança, segura a criança (no caso dos nerds, os Nintendo DS’ e PSP’s).


Um domingo 237

agosto 17, 2009

foto (2)

minha avó Iete

Não sei quanto a todos vocês, mas hospitais causam certo desespero na minha alma. Talvez porque aqui ela nunca é salva, apenas o corpo. Ela se encolhe e se retrai, até eu perder o fôlego. O estranho é que no hospital do Câncer (A.C. Camargo) sinto certo conformismo além da tristeza habitual.

Quando acompanho a minha avó, com a senha 237 em mãos, para as sessões de quimioterapia vejo diversos casos: pessoas em cadeiras de rodas, crianças carecas, velhos que não conseguem falar, jovens em tratamento que insistem em fumar quando saem do hospital.

Um rapaz chegou numa cadeira de rodas. Usava uma toca da Nike, óculos de grau, luvas e era bem magro. Suas pernas não davam a grossura do meu braço. Idade: 35 anos. Diagnosticado com câncer de pulmão aos 25 anos. Dez anos de luta. Trinta e cinco anos sem nunca ter fumado. Não, não quero ser moralista e fazer uma campanha antitabagismo.

Aqui nesses corredores, em pleno domingo, as histórias continuam tristes, tanto que grande parte das lágrimas secou. Minha avó conta uma história sobre cachaça e praia. A mulher que acompanha o jovem que nunca fumou chora. Sofrimento é não poder chorar pelas coisas bonitas, como sorrisos.

Da medicina à religião. A conversa mudou de tom. Depois de diagnósticos, falam de espírito. Será que a ciência vem em primeiro lugar num hospital? Vejo grandes imagens de santos quando vou a hospitais. Parece uma zona neutra, uma embaixada, onde a medicina não é permitida. Onde médicos descem dos pedestais de “salvadores” para seres humanos. Creio que também é o único lugar em que não existem missas. É domingo e a capela está fechada. Não há padre. Não há rezas. Não é apenas fachada.

Desespero é não saber se poderemos ser salvos, seja nosso corpo, seja nosso espírito, seja por médicos (oncologistas, ortopedistas, pediatras, homeopatas, etc.) ou por santos em capelas fechadas onde padre não reza missa.


chaveiro espelho da alma

agosto 10, 2009

 

Tô fazendo aqui um chaveiro pro meu amigo.

O que é o chaveiro né minha gente? Tão ignorado mas tão relevante. Digo, o chaveiro é um ícone da nossa cultura, uma construção da sociedade moderna, um símbolo, um [insira palavra mistica aqui].

Pelo chaveiro podemos saber que tipo de pessoa o dono é. Sério, a pessoa pode não usar nenhum pingente, nem tatuagem, nem foto na carteira, nem mensagem ou imagem na capa do caderno, nem penduricalho na mochila.. enfim, anda que diga publicamente algo que ela gosta ou pensa, sua forma de ser.

Agora, vê o chaveiro dela. É uma argolona? Um gancho, uma corrente? NÃO! É algum objetinho, um símbolo com algo escrito, uma coisa coisa religiosa, uma bolsinha, lembrança de algum lugar, uma miniatura, uma marca. É um símbolo, champs!!! algo que a pessoa carrega e que diz pro mundo que tipo de pessoa ela é! É um constructo cultural, uma marca que diz quem vc é na sociedade! (caralho, peguei pesado agora)

Exemplos: Aquela pessoa que tem uma pequena torre eifel (é tão óbvio mas talvez eu teha q citar, chaveiro da torre eifel é prova de que a pessoa jamais esteve em Paris) certamente gosta da europa, da viadagem francesa, pro vavelmente de vinho, de ser chique, etc. Uma mulher com um coração e o nome do bofe escrito é uma doida apaixonada. Um homem com o mesmo coração tem uma namorada neorótica que cobra demonstrações inúteis de afeto.Um violãozinho é porque a pessoa gosta de música, um filme porque gosta de fotografia, um chaveiro de concecionária é um champs ou metido ou sem imaginação, brinde de loja de roupa depende muito da qualidade pra analisar, brinde de campanha política indica pessoa burra e sem imaginação e sem senso estético e passiva, um pompom com de rosa do tamanho do mundo é de uma pessoa pouco prática que se acha sensacional, um monte de coisas incluindo sempre um pequeno bichinho de pelúcia é de menina carente e retardada, um allstar em miniatura é alternativo hype fistaile, uma bolsinha de moeda indica um capitalista latente, o logo da emrpesa onde trabalha é claramente de um escravo sem imaginação, uma hastesinha de metal cilindrica +ou- do tamanho da grossura de uma palito de fósforo e de comprimento variável é garantidamente de um maconhista, fitas fios pompons moedas e aleatoriedades feitas a própria mão indicam uma adolescente com projetos demais na cabeça (OI). Até agora estou tentando decifrar o chaveiro com um penduricalho de letras e corações e outro com vários chinelinhos lindinhos que estavam na chave de carro do meu chefe mais sério D=.

Já eu queria ter um do meu motel preferido. É grandão de plástico tem o nome do lugar e o númeoro do quarto.

SÉRIO. Queria mesmo.


manja mto nu curintia

julho 28, 2009

Adoro o fato de a necessidade criar especialistas. Se alguma seleção vai mal, mas muito mal mesmo, todos viram técnicos, e dos bons, se a terra aquece todos viram físicos, se o engarrafamento cobre a cidade inteira todos viram engenheiros de trânsito, se um avião cai todos viram pilotos e técnicos de aeronave.

O manjadorismo é um fenômeno que rola solto em todas as histerias modernas. O legal é que agora que temos uma pandemia está sobrando médico e é sempre bom ter um, dois ou três médicos na família. Por acaso todos manjam bem de epidemologia e gripe em geral além de farmacologia. Conhecimentos em história e cinemografia americana são um bonus em alguns casos.

Claro que esse conhecimento mágico que cai do céu em nossas cabeças nos momentos difíceis é bem mais glamouroso quando a crise ocorre perto de você.

O sobrinho dessa que vos fala caiu na desgraça de ter febre alta e uma dorzinha de barriga. Não sei porque no dia seguinte uma prima minha lá do interior estava sabendo que ele estava com gripe A muito provavelmente correndo risco de vida. Até uns dois dias depois de ser confirmada alguma infecção bacteriana random que foi rapidamente tratada com amoxil, a minha irmã ainda recebia ligações. Nunca foi tão popular. E nunca tão manjadora.

 

Nota de rodapé explicativa e desnecessária: Manjador: Indivíduo que sabe tudo sobre um assunto OU indivíduo que acha que sabe.


Beijo me liga

julho 21, 2009

Ana Paula acordou linda e loira, apesar de ser morena. Levantou da cama radiante: sorriso, olhos com remela, tropeçando entre calcinhas, vestido, maços de cigarro vazios. Entrou no seu closet e se admirou no espelho: cara amassada. Que importava? Sua noite fora incrível e sensacional. Lá na Pacha. Primeira vez na balada, tão comentada por Kelly, sua amiga, “Música boa, os drinks são fantásticos e sempre tem meninos bonitos”, dizia. Ela tinha razão.

Ana Paula chegou num vestido com a parte de cima preto brilhante, descendo em um belo conjunto entre preto e onça pintada, uma meia calça preta e um scarpin, claro, preto. O cabelo solto e liso (usando um artifício de chapa quente), as unhas pintadas em um vermelho rosado e um par de brincos de tiras finas com pequenas bolas na ponta. A atenção voltou para si de um grupo de rapazes com camisa pólo e cabelos que desafiam a gravidade. A música e a luz estavam perfeitas; seria a noite para Ana Paula voar e logo teria companhia. Bruno, um dos rapazes que desafiaram Newton, se aproximou, “Oi, sou o Bruno”, ele disse no ouvido dela segurando levemente alguns fios do cabelo castanho, “Oi”, ela disse, “Nunca te vi por aqui, quer dizer ou eu estava meio cego, meio bobo, vai entender”, ele emendou. Os dois continuaram dançando, ela sorriu e ele lhe contou sobre o quarto ano da faculdade de medicina. Ele exibia uma leve covinha na bochecha esquerda, sorriso branco, boa articulação (sim, ele falava bem e os membros dobravam, cotovelo, joelho, etc), gostava de futebol, dançava bem.

Ela lavou o rosto e olhou para o espelho. Não acreditava. Bruno era lindo. A festa fora linda. Tudo era lindo e mágico. Até o curso ficou mais bonito. Tipografia? Lindo. Metodologia? Divina. Identidade visual? Orgásmico. Deveria ter aceitado o convite para ir até o apartamento dele. Não conseguia esquecer aquele beijo. Aqueles olhos. Aqueles braços fortes, torneados, voluptuosos. Quando ela lembrou da parede, vomitou. Náuseas. Camisa suja. Pessoas olhando. Vomitou outra vez. E outra. E mais uma antes de desmaiar.

O médico indicou repouso. Kelly a levou para casa logo após a consulta. Ana Paula adormeceu. Sonhara que uma velha senhora tentava costurar seu sexo enquanto o diabo tentava consumar sua relação. Acordou assustada e toda mijada. O que houve? Ana Paula correu ao banheiro e notou. Sua boca estava esbranquiçada e com manchas roxas enormes, seus olhos vazios e sem reflexo. Sentiu um cheiro horrível. Quando tempo dormiu? Vomitou outra vez com esse pensamento. Ligou para Kelly. E as duas foram ao Dr. Walter, ginecologista.

Dr. Walter, o ginecologista, fez as perguntas padrões sobre ir ao banheiro, a cor das fezes, a cor do vômito, das relações sexuais sem camisinha, com animais, “Com cadáveres?”, a pergunta pegou de assaltou Ana Paula, “Meu Deus! Não!”. O médico olhou para ela bem no fundo dos olhos e indagou das companhias, “Gótica? Saiu com algum coveiro?”, a resposta era sempre não. Dr. Walter então soltou um suspiro, olhou para ela com pesar, “Estudantes de medicina”, Ana Paula ficou branca e consentiu com a cabeça. “Você está com a vulgarmente chamada ‘Doença do beijo’, você pode ter sífilis também ou gonorréia. O estranho são os enjôos e terrores noturnos.”. Ana Paula chorava sem parar e convulsionava.

Algumas semanas depois, Kelly faleceu de uma infecção na boca. Ninguém especulava muito. Ana Paula lembrou do sonho do Diabo, a velha que costurava seu ventre, tinha os olhos da amiga.


Oh, Abram Alas

julho 16, 2009

Um avião caiu no Irã, o fake presidente de Honduras pensa em renunciar, Michael Jackson está vendendo muito depois da morte, Nokia teve queda nos lucros, 5 pessoas morreram de gripe A no Brasil e acaba de sair mais uma Playboy de BBB.

Mas esse blog não é um clipping.

Saiu seilaqual-ésimo livro da série Twilight, A Era do Gelo 3, Harry Potter 6 foi o sexto fracasso da franquia e estou aguardando ansiosamente o novo lançamento do Tarantino, Inglourious Bastards.

Mas esse blog não é de reviews de cinema nem literatura.

O Sócrates é o Sócrates. Com dialética(eca), vacas, cicuta, asas e tudo que temos direito.

Sejam bem vindos.